{água vívida}

quando as confissões se libertam

Tag: quarto

TAG: 25 fatos literários sobre mim

Hoje, a postagem será bem diferente do que as de costume: eu finalmente vou responder alguma TAG que me indicaram (obrigada pela indicação, Mayara) . Eu adoro TAGs, sempre leio quando aparecem no Leitor ou quando me indicam, mas eu sou relapsa demais para conseguir responder alguma e às vezes lembrar delas. Além disso, sempre penso no meu conteúdo geral e se TAGs não vão destoar. Enfim, resolvi dar uma chance. Espero que vocês curtam essas minhas confissões mais concretas que, de alguma forma, relacionam-se com os meus sentires abundantes e a forma como me expresso.

I. Nos últimos anos, tenho tido problemas em me concentrar, logo, tenho lido muito menos do que eu estava acostumada.

II. Eu não tenho religião, mas o Livro do Desassossego do Fernando Pessoa é a minha Bíblia. Vira e mexe eu abro ele em qualquer página e não tem uma só vez que eu não me sinta completamente contemplada.

III. Eu adoro as peças de Tchekhov. Minha primeira experiência com seu material foi com “O Jardim das Cerejeiras” em um passado muito longínquo, pois era uma das leituras obrigatórias para a prova do Célia Helena (sim, eu já pensei em fazer Teatro!)

IV. O livro que eu mais gostei da lista da FUVEST foi “A cidade e as Serras” do Eça de Queirós.

V. Minha coleção, hoje, tem um pouco mais de 200 títulos. O sonho é ter uma baita biblioteca.

VI. Minha meta na vida é ter a coleção completa da Hilda Hilst. Sim, ela é a minha escritora brasileira preferida.

VII. Na verdade, Clarice Lispector e Cecilia Meireles estão no topo da minha lista de favoritos junto com a Hilda.

VIII. “Um sopro de Vida” é meu livro predileto da Clarice.

IX. Eu não sou muito fã de poesia. Não sei, não me prende. Mas obviamente existem exceções como Cecília Meireles e Drummond (até a própria Hilda!)

X. Eu finalmente consegui terminar de ler “Rua de Mão Única” do Walter Benjamin. Só que não consegui até agora contar para ninguém que eu não curti muito. (é uma vergonha isso, eu sei!)

XI. Às vezes, eu re-leio a Poética  (Aristóteles).

XII. Eu posso não discutir política neste blog, mas boa parte dos meus livros são relacionados a política e antropologia. De livros que falam mais sobre determinada conjuntura até os de teoria.

XIII. Quase certeza de que metade destes livros sobre Política são sobre mulheres, feminismo e empoderamento.

XIV. Sou fã de Harry Potter e tenho a maioria dos livros publicados em português e alguns em inglês (essas versões de aniversário, capa dura, com ilustrações… adoro!).

XV. Todo ano eu faço maratona de Harry Potter: re-leio todos os livros da saga.

XVI. Desde 2011, este foi o primeiro carnaval que eu não li “O Nome da Rosa” (Umberto Eco). Eu tenho algumas tradições que envolvem meus queridos livros!

XVII. Li “A Redoma de Vidro” da Sylvia Plath três vezes em menos de um ano.

XVIII. Uma das citações que mais me marcaram e se tornaram inesquecíveis na minha memória veio de “Amor de Salvação” do Camilo Castelo Branco: “Que a saudade é ainda um afeto, excelso amor, o melhor amor e o mais incorruptível que o passado nos herda”.

XIX. Eu tenho o habito de escrever partes de livros nas paredes do meu quarto ou em post its.

XX. Não sou fã de Nietzsche, mas tenho alguns livros porque eu gosto da forma da escrita. Ecce Homo é o meu preferido dele.

XXI. Às vezes, eu compro o livro pela capa. Principalmente os livros de bolso, aqueles estandes são como imãs. Eu simplesmente não consigo me controlar.

XXII. Tenho muita dificuldade em ler livros em PDF ou no Kindle. Sou old fashioned e gosto de ter o livro em papel impresso na minha mão.

XXIII. Durante muito tempo levei minha vida como diria Bukowski em “Mulheres”: “That’s the problem with drinking, I thought, as I poured myself a drink. If something bad happens, you drink in an attempt to forget; if something good happens, you drink in order to celebrate; and if nothing happens, you drink to make something happen.”

XXIV. Não consigo ler um livro sem que eu tenha post-its, folhas de fichamento para alguma anotação e pop-up flags.

XXV. Ainda estou pegando o gosto pela leitura de Contos, principalmente, os de Crimes e Mistérios. Já que leio assiduamente dossiês e dossiês de Seriais Killers e assisto vários documentários… Então eu realmente não sei como eu não consigo terminar de ler um mísero conto.

Não vou indicar ninguém, mas sintam-se mais do que convidadxs a participar também. Quero saber mais de vocês!

dos meus ritos {adeus, 2015}

Eu sei que estou atrasada, para variar.

A verdade é que eu precisava sentir o adeus de Dois Mil e Crise para seguir adiante.

Por meses, fechei os olhos para a vida. Larguei as rédeas e esforcei-me para não lembrar do paradeiro. Segui o roteiro que me fora dado. Fui alguém que queriam que eu fosse. Eu não sou. Padecer então era tudo que eu poderia viver. Achei que nunca mais necessitaria abrir os olhos de novo. Caso contrário, significaria, no limite, aceitar e encarar o “realmente”. Achei que nunca estaria preparada para dizer adeus. Não sou boa com despedidas.

Foi vendaval. Violento. O canto triste das aves. O ritual que o corpo clamava há dias – uma dor nas costas se instalou e denunciou que já estava na hora. Minha mente, todavia, fez de tudo para protelar esse acontecimento. Inocente, fechei os olhos. Uma ventania me tirou o ar. Fui obrigada a, lentamente, deixá-los abertos. Desengasguei-me. No escuro do quarto. Onde as lágrimas se camuflam no rosto. E os inchaços não são vistos. No único lugar que fotos podem ser rasgadas e objetos se quebram. E o silêncio impera… Na cerimônia em que nos ultrapassamos e rompemos com o Mundo antes dado. Crise. Episódio.

Renasço assim da simbiose quase perfeita de quem eu fui mas, principalmente, das possibilidades de quem serei. Fênix.

paredes verdes

quarto

*ainda sobre o que se passa na hora, pela minha cabeça.

sinto como se as paredes do meu quarto me fagocitassem e sugassem todas as minhas energias. é como se o mundo lá fora tanto não exista que eu posso me dar ao luxo de não estar e apenas me reter ao ser. ainda que pensando no mundo lá fora. sou eu, quatro paredes verdes e empasteladas, uma luz amarelada, algum som ao fundo e a cama. às vezes, uma pausa no meio disso tudo onde os olhos correm sem ter para onde correr. na angustia que se instala, transbordo-me. delírio. sucumbo. perco-me sozinha. a dialética do mundo me incomoda, como pode o Mundo ser isso e o meu mundo tão… pequenino e independente do Mundo, mesmo estando nele? preciso não estar.

sobre a mesa

* tenho três textos para digitalizar, mas não são tão importantes como este, uma vez que nasce agora, da angustia e melancolia, da tinta fresca.

normalmente, sobre a minha mesa, encontra-se sempre uma xícara cheia de café frio. e, apenas. creio que isso diz muito sobre mim, sobre minha rotina; bem como os livros que se edificam nas prateleiras. ainda assim, não consigo compor uma linha que indique quem sou eu. acostumei a nunca falar de mim mesma, deixo que criem suas próprias imagens, mesmo que corrompidas. eu poderia ser qualquer coisa. eu posso ser qualquer coisa. dessa forma, finalizo angustiada – sem conseguir ingerir um gole de café quente, com a garganta sentido nós cada vez mais firmes – por não saber quem ela é… e pelo silêncio também nunca ter me dito.

%d blogueiros gostam disto: