do indecifrável

por tam

acho que passei os últimos dias morrendo. não sei dizer. normalmente eu sei o que se passa por aqui. motivos. a parte que me deixa ou, raramente, a parte que me renasce. dessa vez, nulo. no entanto, eu sinto que algo morreu. ou está morrendo. e existe outra coisa no mais profundo de mim brotando. indecifrável. a ansiedade tem feito uma cortina de fumaça bastante potente. não me adentro. acordei diferente nesta manhã de Sol. hoje eu vejo o Sol. e me encanto.

sentada no sofá da varanda. olhando a paisagem edificada que São Paulo. subitamente percebi que havia acordado melhor. perguntei-me se estava viva. ainda não, ouvi. viva ou não, perceber as cores do dia é uma dádiva divina. invejo os que se deslumbram com tais todos os dias. é um talento. inato. que, obviamente, eu não possuo.

fixei o olhar no horizonte. a cabeça não para de pensar. uma saudade avassaladora do passado me apertou o peito. por mais sozinha que pensava que estava, eu não estava. eu sabia que não estava. hoje, contudo, não há braços. e eu sei que não há. é um pouco triste. ainda mais em momentos como dos últimos dias. ou eu surtava dentro de casa. ou saia completamente mascarada.

agora, reconciliei-me com a solidão e o silêncio.