{água vívida}

quando as confissões se libertam

da morte

quando a morte é um tabu, privam-nos até de morrer todos os dias. se digo que quero morrer, raramente, é no sentido literal. eu quero que essa vida efetiva morra. se vá. ou até mesmo a morte mais subjetiva de mim mesma. reinventar-se é uma arte. eu tenho me matado quase toda semana. renascer por completo é que tem sido tarefa árdua. mas pelo menos eu tenho estado. já é um avanço. no fundo, quero desaparecer. da vida. de mim. principalmente de mim mesma.

eu já disse que gostaria da leveza que uma vida insossa deve ter. ser alguém insosso também tem seus privilégios. pelo menos da distância quase infinita que tenho de qualquer vida desse tipo.

romper-fixar. voltamos. não dará certo de novo.

um sopro de vida, clarice lispector

“Do zero ao infinito vou caminhando sem parar. Mas ao mesmo tempo tudo é tão fugaz. Eu sempre fui e imediatamente não era mais. O dia corre lá fora à toa e há abismos de silêncio em mim. A sombra de minha alma é o corpo. O corpo é a sombra de minha alma. Este livro é a sombra de mim. Peço vênia para passar. Eu me sinto culpado quando não vos obedeço. Sou feliz na hora errada. Infeliz quando todos dançam. Me disseram que os aleijados se rejubilam assim como me disseram que os cegos se alegram. É que os infelizes se compensam.Nunca a vida foi tão atual como hoje: por um triz é o futuro.”

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