trechos sem sentido sobre tudo que eu nunca quis dizer

por tam

fazia tempo que não acessava o subterrâneo. o meu próprio.

fui ensinada, desde muito criança, que se existe algo impossível no mundo é, justamente, alguém se apaixonar por mim. eu fui ensinada a acreditar nisso. chata, insensível, manipuladora, falante, impositiva. eu talvez fui me tornando essa pessoa.

me disseram. adicionaram outros adjetivos. possessiva foi um deles. faz tempo. mais de meia década. exatamente neste tempo. e eu fiquei. estanque. nada foi tão intenso. até que, em janeiro, a intensidade voltou pra mim. finalmente.

a vida que passou, todavia, irrecuperável.

nesse tempo que passou, eu desenvolvi outras formas de me relacionar. nada de muito intenso, nada de romance, nada de proximidade. nada que possam me tachar de todas as coisas que sempre me disseram que eu sou. acho que neste confessionário nunca fiz um balanço dos últimos anos. no fim das contas, a gente se resigna com a vida.

desde então, eu vivo nesta minha torre. eu e a solidão. às vezes, uma ou outra assombração. eu finjo que não sinto. eu digo para quem quiser ouvir que não sinto. do nada pra baixo, esbravejo. esta última é uma verdade, normalmente é assim. é mais fácil dessa forma.

teve uma época que era “nunca será dois”. NUNCA. SERÁ. DOIS. a verdade é que o medo da não reciprocidade é tão enorme que ser para sempre um parece mais seguro.

no final das contas, quais as chances de alguém ficar?