da inverossimilhança

por tam

Entramos em 2018. Lúcida o bastante. Livre e leve. Fortalecendo-me. Rompendo ali e acolá. Como se uma tranquilidade adentrasse o corpo – jamais me ocorreu antes. Confiança e autossuficiência. Inexplicável. Sem medo. 

Estranheza. Inverossimilhança. Afinal, como é viver assim?

Questionei-me se este estado em que me encontro não é uma espécie de negação. Da vida como ela é. Realidade. Estar em negação. Não acredito que seja medo. Porventura, organizar e romper. Das etapas. Mudança.

Ao passo que o mês avançou e na medida que o dia-a-dia tem se encaixado na rotina, mais quero ser uma manhã de domingo. Calma. Sossegada. Extrinsecamente radiante. Eu tenho dançado todas as manhãs. E madrugadas. O tempo é presente. Instantes.

E, mesmo assim, não me anula as dores. Como poderia? Eu não reclamo. Sentir me faz viva. Ainda que seja pela falta de ar. Angustias. Aquela pontada no peito. O ar blasé. A eterna sensação de lucidez. Como me diz Clarice, “em mim é profunda a vida”. Por dentro eu permaneço a mesma.

Caso contrário, se chamaria mágica. Ou tudo isso tem sido apenas um sonho.