da esperança momentânea

por tam

há algumas semanas, como venho evidenciando nos últimos parágrafos, um cansaço frente a minha aparência, jeito e vida tomou conta dos devaneios. quero aquele olhar claro e limpo das cenas do Mundo. no entanto, querer não é poder, e a vida segue tão opaca quanto antes. as angustias engasgam e parece que a qualquer momento uma catástrofe acontecerá. a indiferença exteriorizada frente aos  aspectos da vida é a única reação do corpo, mesmo que racionalmente eu saiba o que cada momento pede. viver dessa maneira tem sido um porre.

eu preciso me salvar da depressão. análise. psiquiatra. pilates. a escrita. eu me mantive no mundo e, aos poucos, fui voltando a viver em sociedade diariamente. já consigo levantar da cama. as crises acontecem raramente. ainda assim, esse cansaço que me dominou pede outras saídas. eu ainda não sei quais são.

no feriado, repaginei esse confessionário. assisti mulher maravilha. cortei o cabelo na altura dos ombros. platinei o cabelo. aquele castanho que fui deixando nos últimos dois anos precisava sair. como sempre, sigo acreditando fielmente que mudar radicalmente as madeixas gera alguma espécie de mágica. em um estalar de dedos, tudo é deixado para trás. reinventar é possível.

pode ser que hoje, isso aconteça. amanhã, porventura, eu me frustre. contudo, deixaremos a instabilidade a cargo das manhãs que virão.

hoje, eu precisava mudar a aparência. agarrei na esperança de que isso transformará tudo que vem me deixando cansada.