das interrupções

por tam

tenho escrito pouco. na verdade, mentalmente, escrevo um livro por dia. sobrecarregado de devaneios. ainda assim, a vontade de escrever e tornar palpável o pensamento não consegue se sobressair diante do cansaço do meu corpo. descompassada. o cotidiano me interrompe. o clímax nunca chega. as angustias, obviamente, acumularam-se. meus olhos me alertam: “ando deprimida”. não existe um expectro tão amplo de cores. a vida concreta anula as possibilidades de subjetividade. ainda que eu esteja vivendo a vida concreta… talvez, conscientemente, pedindo para que ela me engula de vez e os aspectos individuais da vida se tornem irrelevantes… e a angustia vai para onde?