de algum dia

por tam

Venho acordando meio Clarice ultimamente. Em alguma espécie de transe existencial em que, se pudesse, passaria o dia escrevendo meus imediatamentes cotidianos. Do excesso de lucidez que meus olhos têm refletido. Esse risco que a gente corre quando deixamos tudo ao redor e nos colocamos no vazio. Sinto-me vazia o suficiente para ter a certeza de que a falta de sentires me deixa mais forte. Feito uma muralha – daquelas construídas com as pedras mais resistentes. Dura. Fria. Enrijecida. O pragmatismo da escrita denuncia um pouco meu estado. As palavras cruas e nuas. Reais. Ainda que tudo gire em torne das fantasias que tomam meu corpo. A mente. O coração que dilacera. Lentamente.