cárcere

por tam

essa coisa de nos sentirmos constantemente aprisionadas a nós mesmas, nas nossas próprias vidas e corpo, ainda vai nos matar. asfixiadas. sufocadas. juntas. 

Cheguei ao ponto no qual já não aguento mais viver em mim. Assemelha-se bastante com alguém irrompendo contra a minha pele. Vazando-me violentamente. Só que em tentativas dilacerantes e falhas. Não vazo. Quer sair para fora do meu corpo. Implodindo-me em um movimento constante de exorcismo espontâneo. Incontrolável. Não sei discernir se sou eu ou algum dos meus ninguéns.

Nos instantes seguintes, instala-se um peso de massa infinita do lado esquerdo do peito. A angustia se alastra pela corrente sanguínea. Controla os impulsos nervosos. Sobe para a garganta em bolhas. Aprisiona a voz. Prende a respiração. Permanentemente em frações de segundos. Eu me digladio. Fecho-me. Encasulo-me diante desta cólica de nadas. Ou dos meus tudos. A cólica subjetiva que contrai o corpo. Imediatamente, estatelada no chão. Retorcida. Feita no Cerrado. No cativeiro do meu próprio corpo.