{água vívida}

quando as confissões se libertam

alfinete

Faz um tempo que meios devaneios se enclausuraram nos meus não sentires. De fato, não vinha sentindo; contudo, ante-ontem, uma alfinetada se pregou no meu peito. Pontiaguda, incomodou-me. Lembrei que sou e fui ser humano, apenas estou nisto que é inumano, até para mim. Cruel isto de sensibilidade cerceada.

Resistência.

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O cabelo sempre fora uma maneira de expressão máxima do meu eu – até a instabilidade intrínseca da alma é denunciada pelas mudanças constantes que promovo no topo da minha cabeça. Desde 2013, permaneço com cortes que não ultrapassam meu queixo. Há uma semana, adotei o curto da foto. Curtíssimo. A liberdade da nuca não é apenas a liberdade da nuca. É, decerto, a libertação de uma das algemas que me mantém sob opressão constante. No entanto, ao mesmo tempo, não é liberdade de nada, posto que teimam em delimitar o que devo ou não fazer com o cabelo e corpo. Essa relação dialética me atormenta a cada olhada no espelho. Todos os dias pelas ruas.

Olho no espelho e… Espetacular! Outros momentos, a auto-estima se esgota e culpo todos esses pequenos fios pela aparência menos “feminina” que minha mente constrói.

Velada. Oprime-me. Pego-me resistindo, então. Emancipando-me. Fortalecendo.

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