lago sereno

por tam

Persona2

Estou cansada. O corpo já denuncia há dias meu estado; tem pregado-me peças e me deixado de cama. Enferma com dores na carne. O açoite, que por muito se manteve na alma, tem atacado frequentemente cada milimetro da camada reticular. Já não existe mais limite. O subjetivo já me é concreto, vice-versa.

O cansaço constante me angustia e inquieta. Baque. Insistem em atirar pedras no lago sereno de águas desassossegadas. Pinga, pinga, pinga…  Explode. A falta de rumo me invade. Dilacera. Ainda, os ombros doem cada dia mais. O pescoço já não aguenta a cabeça. Os olhos mantêm-se alerta. Não existe sono que cure. Nada me anima. Minhas distrações se distanciam do front. É apatia de espírito ou súbita consciência de que, talvez, nada acalme a alma de quem vive, da mesma forma, nada valha a pena ser vivido. Afinal, o que é a vida?