dos meus estados

por tam

Acreditei piamente que as Águas de Março levariam embora essa parte de mim que me torna instável. Lego engano. Elas potencializaram ainda mais as interferências dos meus eus: cheguei a um ponto de nem me importar, haja vista que o medo que tenho de mim, inflou-se. A imagem no espelho. A sombra no encalço. Tive a crença de que as tais águas trariam todos os desejos e sonhos que me faltam. Pensei com todas as forças que, neste estágio, a mistura do sofrimento e da lucidez não mais apontariam as regras do dia. Cansa mais o dia, do que pensar nos dias em conjunto. A linha que cerceia e distingue toda essa gente que existe em mim, esfumaça-se em uma inconstância periódica. E, o encontro com as gentes que transcendem ao meu corpo ainda é exaustão. O compromisso com a mente parece ineficiente. Tanto que é descompromisso meu ainda achar que a reclusão é o melhor caminho, mesmo que o esforço cotidiano de não me isolar tenha estado na ordem do dia. No mais, as contradições de meu estado se evidenciam. Conforme o tempo passa, colocam-me, portanto, o impasse: para que dar sentido a essa estalagem imutável se tal não tem sentido algum? A insistência nisto, quando não se projeta nada que vá além do agora, seja erro crasso.